O Manto do Rei

O Rei vai nu

«Um dia o rei resolveu sair para se mostrar ao povo. Toda a gente admirava a vestimenta, porque ninguém queria passar por estúpido, até que, a certa altura, uma criança, em toda a sua inocência, gritou:
– Olha, olha! O rei vai nu! » “O Rei vai nu”, adaptação do conto de Hans Christian

https://omantodorei.wordpress.com/,monarquiaportuguesa.com

Este é um blogue sobre questões económicas e a sua ligação com as ineficiências próprias do regime politico em que Portugal se encontra.Nos últimos 2 séculos Portugal tem lutado por manter o “status quo” herdado da contínua expansão territorial que moldou o temperamento e cultura nacionais.O sec XIX (em particular a segunda metade) marca a tentativa de continuar a expansão territorial com as mesmas estratégias financeiras que condenaram o sistema financeiro internacional ao eminente colapso em 2008.Financiamento continuo (externo e interno) na expectativa de retornos crescentes e contínuos no tempo.Em termos gerais o Império Português foi, no final, um desastre financeiro.

O único activo que garantia o continuo fluxo de dinheiro e homens para as sucessivas frentes de combate e descoberta era o contracto implícito entre o povo e a Sucessão Dinástica.Monarca após Monarca todos os Reis e Rainhas portugueses mantiveram a linha condutora do projecto iniciado por D. Afonso I  -talvez o único de todos os monarcas que teve dinheiro suficiente para se manter aparte de compromissos externos e força suficiente para dar ínicio a um projecto que duraria 800 anos e que moldaria a própria Humanidade- a expansão territorial continua que na 2º Dinastia se transformaria numa abordagem de escala planetária.

As próprias limitações geográficas e conceptuais, a própria evolução natural do meio envolvente se encarregariam de alterar as regras do jogo.Na segunda metade do sec XIX seria uma Nação a tentar impor-se num mundo pós-Industrial com armas da época de Quinhentos.Portugal na sua profícua missão de salvar almas havia-se esquecido de renovar as suas estruturas produtivas.Rápidamente o Reino passou de um projecto lucrativo para um detentor de garantias Reais de escala faraónica e finalmente para uma sociedade improdutiva sem estrutura que a pudesse sustentar…um imenso império à espera de ser pilhado, mas ainda merecedor de crédito para novos projectos.

Apenas um activo se manteria incólume: a confiança

Um dos activos mais importantes da Economia, talvez o mais importante é a confiança: a confiança que o Contracto é cumprido; a confiança na Justiça a confiança nos Politicos.

Num mundo onde tudo é transitório, desde a vida à riqueza, apenas a confiança supera a Lei da morte.É a confiança que leva os trabalhadores a irem de manhã para os seus trabalhos e o investidor a investir com maturidades superiores á sua própria vida.

Com o ínicio do sec XX, as pressões externas e internas para manter o “status quo” de Nação Europeia fizeram precipitar tudo e de uma crise politica passou-se para a interrupção Constitucional com a revolução de 1910 e consecutiva perda de credibilidade que pautou as sucessivas Republicas, obrigadas a pagar taxas de juro recorde a alterar o arco partidário ao gosto e modas correntes no resto da Europa e a provocar a degradação total do contracto que ligava o povo aos seus dirigentes.

Hoje mais do que um País simpático e pouco produtivo, Portugal é uma Nação onde não só o Estrangeiro como os nacionais não têm a mínima confiança no regime e seus representantes.

De facto “o Rei vai nu” aos olhos de uma criança e de todos nós que hoje só vislumbramos a nossa nudez ,a dos nossos representantes e o resultado de 100 anos sem Rei

Ricardo Silva

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