A República e a Casa Real ,um regime esquizofrénico

É chegada a altura de colocar o Estado perante a decisão de reconhecer oficialmente o papel da Casa Real Portuguesa como representante do legado histórico do País. Um grupo de portugueses lança uma petição para colocar uma não-questão ao Regime instalado, uma realidade natural :para a maioria dos Chefes de Estado, para a maioria dos portugueses residentes e não residentes e para a quase totalidade do Mundo Lusófono.

Novamente a questão do Protocolo de Estado.

S. A. R. O Senhor D. Duarte de Bragança, como Chefe da Casa Real, representante da História de Portugal (800 anos e 22 gerações de portugueses a desbravar 2/3 do Mundo não é algo que se possa resumir a uma nota de rodapé de 100 anos de República)  não pode continuar a ser desconsiderado pelo Protocolo de Estado. A Casa Real Portuguesa ,na pessoa de D Duarte é reconhecida internacionalmente como representante de Portugal e nem os serviços da República prescindem da presença de SS AA RR quando a visita de um Chefe de Estado estrangeiro se reveste de cores monárquicas , afinal perante um Monarca de outro país é sempre prestigiante referir que no sec XII já éramos um Reino soberano enquanto a Europa e boa parte do planeta ainda se debatiam com a construção de identidades nacionais

elite duarte

Aquando da aprovação da lei que determina o actual Protocolo de Estado pedia-se que os legisladores com assento na Assembleia da República (do qual o actual Presidente da República fez parte) tivessem a mínima noção do País em que viviam. Mais uma vez,  para não variar, mostraram  temor acerca da fragilidade das Instituições republicanas. Afinal só duraram 16 anos antes da chegada do regime autoritário mais longo da Europa e os últimos 40 anos não foram mais do que tapar buracos na derrocada sempre iminente das Instituições que deveriam salvaguardar o Bem Comum. Consideraram S.A.R. uma ameaça para à República e a Constituição passou a 1975 com o 1º artigo da Lei fundamental a garantir que a partir dali o País mais não seria do que adjectivação de Portugal…o Portugal republicano, enquanto se ensinava às crianças da primária que continuávamos tão portugueses de Portugal quanto no sec XII.

D Duarte falava pouco, era solteiro e faltava-lhe supostamente a virilidade verbal de muitos que nos anos seguintes estariam a plantar bombas e ameaças a um regime frágil . O preconceito é um argumento fácil, mas não resolveu a quase obrigatoriedade de Portugal aderir a uma Instituição tutelar que nos salvasse de tanta fragilidade e em 1986 Portugal aderia à CEE.

ns d duarte

Desde então pouco ou nada do essencial mudou, o preconceito continua (embora moderado pela idade da Assembleia Constituinte, afinal já todos entraram nos 70) , O Sr D Duarte continua igual na forma de estar (apesar de estar casado e ter descendência) ,  D. Duarte de Bragança continua ser convidado pelo Estado Português para cerimónias oficiais de recepção de Chefes de Estado estrangeiros e é recebido por estes como um representante oficial de Portugal .No essencial nada mudou, apenas se perdeu valioso tempo em tentar corrigir algo que nunca funcionou , Portugal nunca será a República Portuguesa tal como os Presidentes nunca abdicarão de viver em palácios Reais numa dramatização cénica do papel de um Rei .

Tal não pode ser considerado um favor, como o anterior Presidente da República (Cavaco Silva) insinuaria nas palavras que dirigiu à comunicação social estrangeira, mas sim o reconhecimento de um facto.

 

 

 

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