A ambição do 25 de Abril

Todos os regimes têm feriados, são uma espécie de pequenas fortificações ideológicas que marcam no tempo a diferença entre o “nós” e o “eles” na batalha pelo direito à História da comunidade.Pequenos palcos onde os fundadores ou os seus legítimos herdeiros ocupam o palco central debitando as razões que levaram aquele dia…que ,regra geral ,são as mesmas repetidas geração após geração.Neste aspecto não existem regimes como as Repúblicas no tocante ao fabrico de feriados e datas comemorativas, o regime está todo o ano a justificar a sua existência evitando que alguém possa questionar o porquê de ainda hoje Portugal parecer o Portugal que os criticos da Monarquia descreviam no sec XIX.

mais-ou-menos-a-portuguesa

Para a maioria dos portugueses os feriados são apenas dias de férias pontualmente espalhados pelo calendário, o 25 de Abril é mais um desses dias que a larga maioria da juventude, por não ter vivido o dia ou o regime anterior,  encara com alguma boçalidade. “Conquistar Abril” é fazer paradas e fanfarras lideradas por um grupo de velhos ex-militares da geraçãos dos avós que debita parágrafos do manual de História e concorre com a Presidência da república no direito a ser mais representativo da vontade popular, neste aspecto o siléncio de D Duarte de Bragança vale mais do que todas as palavras dos fundadores da III República ,estes só são fiduciários de um dia enquanto que o Herdeiro da Coroa é fiduciários de todos os dias dos 800 anos em que as 22 gerações se denominaram de portugueses

Claro que a data é importante e a boçalidade de alguns não justifica a ignorância ou o desinteresse, só porque a Liberdade não cabe num tweet ou num post do facebook mas a realidade é que Portugal vive desde há 100 anos a justificar a existência das Instituições gastando uma consideravel fatia do orçamento com propaganda. O Presidente da República sente a necessidade de andar a viajar de Distrito em Distrito a lembrar às populações que ele existe (como se as eleições quinquenais não fossem já mais do que suficientes) . Se esta necessidade de legitimação histórica existisse desde o sec XII teriamos neste momento mais feriados do que dias no ano.

Conquistar Abril poderia ser conquistar a Educação e a prosperidade na era da informação ,mas ao invés parece ser a crescente sacralização de uma geração e de um regime que não quer interromper o processo revolucionário que deitou a Monarquia abaixo.Afinal orientar uma Nação para o passado é mais fácil porque já sabemos o que lá está.

O sec XXI parece ter nascido com alguma hostilidade a esta aproximação, as gerações actuais estão habituadas a aceder a toda a informação produzida pela Humanidade à distância de um clique, essa capacidade ensina que as ideologias tendem a impor limites nos campos onde não conseguem produzir resultados .Todos os governos culpam os executivos anteriores nos aspectos onde não há hipotese de os excederem e  neste aspecto a crítica é proporcional à inépcia.

D. Carlos não precisava de sair de Lisboa para ser apreciado na Europa e no império português nem precisacva de forçar o país a festejar o seu aniversário para reforçar os ideais do regime. Todos sabiam que ele um dia morreria e que o seu filho naturalmente lhe sucederia no mesmo sentido de missão e respeito pela História e aspirações da comunidade. O futuro, há 100 anos, era um processo inevitável …desde há 100 anos para cá passamos a viver de costas voltadas para o futuro , já é tempo de de parar e cumprir este e todos os Abril que os precedem

 

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