Deveria Portugal regressar à Monarquia?

Os portugueses, a par com os gregos, levam a História do seu país como um assunto muito sério, em cada canto e edificio há uma história para contar mas quando o assunto é o regresso à Monarquia a maioria prefere evitar dar uma opinião, afinal o País vive desde 1910 entre regimes autoritários ,golpes e revoluções e o futuro é uma incógnita demasiado pesada para deixar a emoção verbalizar o que pensa.

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D Duarte de Bragança

Ao fim de 13 anos de crise económica pontuada por periodos de recessão, estagnação e intervenção externa podemos especular que a última decada a vida em S. Bento tem-se assemelhado mais a um cortejo funebre do que a uma serena fanfarra e movimento frenético que à primeira vista denuncia uma Lisboa em crescimento com os turistas que enchem as esplanadas depressa evidénciam que o País também sofre um problema demográfico .A Crise já passou as fases ecomómica ,financeira e começa a aparentar sinais de crise de regime, um enigma cuja resolução está além das capacidades do Parlamento nacional.

Tal como França ,cujo artigo 89 da Constituição de 1958 impede a modificação da forma de Governo, também o artigo 288, b da Constituição Portuguesa de 1975 impede a maesma revisão o que deixa a solução do regime fora dos muros de S. Bento e uma grande parte desta solução na credibilidade, imagem e confiança que actual herdeiro da Coroa Portuguesa , D Duarte de Bragança, possa inspirar na população.

Neste campo as notícias não podiam ser melhores para os apoiantes da restauração da Monarquia caida em 1910. A imagem da Casa Real e bastante elevada não só entre a população portuguesa como nas ex-colónias do antigo império marítimo , D Duarte de Bragança é a única figura pública portuguesa que transitou entre os dois regimes sem alterar o discurso político e a sua presença ainda ressoa a época dos descobrimentos portugueses. As últimas eleições presidénciais assinalaram uma abstenção sem precedentes onde actual Presidente conseguiu eleito com o menor numero de votos desde 1974 (de facto foi eleito por menos pessoas do que aquelas que apoiam a Instituição Monárquica) o que lhe dá uma margem residual de legitimidade num País onde a última sondagem indicava um apoio de 70% à forma republicana de regime.

Nem tudo está perdido para os apoiantes da República ( cuja maioria simpatiza com o herdeiro da Coroa)  mas a margem de manobra é pequena quando o regime afunda em casos de corrupção ,a credibilidade dos políticos e seus partidos se encontra abaixo do mínimo exigível, a taxa de participação em eleições é persistentemente baixa e 30% da população prefere a Monarquia ou não tem opinião.A revolução de 1910 só precisou de 7% de apoio e todas as restantes revoluções nasceram no seio do exército.

RGS

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