Torre de menagem do Castelo de Beja entra em colapso

A íncuria de um regime que prefere construir castelos no ar do que preservar o legado de gerações.A Torre de menagem de Beja foi encerrada por perigo de colapso dos varandins, uma situação que já era conhecida desde 2010, vem pôr a nu o total desinteresse nos elementos que definem a identidade nacional.O castelo de Beja sobreviveu a invasões e guerras durante séculos não irá sobreviver à República das bananas.

O historiador e museólogo Leonel Borrela, que se deslocou esta manhã para observar o que se passava,afirmou que a parte da estrutura que ruiu é precisamente aquela “onde as pessoas se posicionam para observar e fotografar Beja”.

Persiste o perigo de derrocada de mais elementos do balcão, os chamados “cachorros” (pedras que suportam o balcão), admitiu Borrela, depois da observação que fez no local.A torre de menagem do castelo de Beja é um dos poucos monumento que sobreviveu intacto desde a sua construção ,ao tempo de D. Fernado, e é a torre de menagem mais alta da Península Ibérica

Beja 37

 

Uma derrocada no balcão que ladeia a mais alta torre de menagem da Península Ibérica abriu uma nova ferida no mais emblemático monumento da cidade de Beja, precisamente aquele que mais fascina os artesãos e os poetas populares e eruditos alentejanos.

Na quinta-feira, ao final da tarde, blocos de pedra que pesam centenas de quilos caíram sobre as muralhas que ladeiam a torre de menagem e a entrada para esta que está aberta ao público até às 16 horas: o aluimento deu-se às 17h15.”Ouvi um estrondo que parecia um trovão mais forte”, conta Luís Camacho, que na altura da derrocada estacionava a sua viatura numa das ruas que ladeiam a torre de menagem do castelo de Beja.

Ainda sem saber o que passava, Luís Camacho reparou que um grupo de pessoas no meio de um forte alarido apontavam de braços esticados para o alto da torre. “Reparei que faltava ali qualquer coisa” observa o homem, que mora perto do castelo: a esquina do balcão, que envolve a fortificação a uma altura de cerca de 30 metros, tinha desaparecido.

A desolação era patente. “O meu castelinho está a cair”, lamentava-se Gertrudes Ameixial.

Estava consumada a maior derrocada das últimas décadas no Castelo de Beja, o que contraria a posição assumida pela Direcção Regional da Cultura do Alentejo, quando em 2010 e na sequência do aluimento de uma pedra no balcão dos matacães, o mesmo onde se registou a derrocada de ontem, “não identificou, aparentemente, situações de perigo imediato ou de ruína iminente”.

Como medida de precaução, as subidas ao alto da torre de menagem foram interditadas, uma decisão que terá evitado que a queda de parte do balcão arrastasse consigo pessoas.

O historiador e museólogo Leonel Borrela, que se deslocou esta manhã para observar o que se passava, disse que a parte da estrutura que ruiu é precisamente aquela “onde as pessoas se posicionam para observar e fotografar Beja”.

É patente que persiste o perigo de derrocada de mais elementos do balcão, os chamados “cachorros” (pedras que suportam o balcão), admitiu Borrela, depois da observação que fez no local.

O historiador chamou a atenção para a fadiga dos materiais e a importância da manutenção de uma estrutura medieval que foi construída no século XIV, “muito provavelmente por D. Fernando”, atendendo à “grande beleza” da fortificação militar que “não tem paralelo na Península Ibérica”, observou.

O executivo da Câmara Municipal foi alertado do que se estava a passar e de imediato mandou isolar a área afectada pela queda das pedras numa zona de intensa circulação de pessoas e viaturas, sobretudo em dias de mercado ao ar livre, aos sábados.

O município de Beja adianta que já comunicou o ocorrido “às entidades competentes, nomeadamente à Direção Regional de Cultura do Alentejo, que está a acompanhar a situação”.

 

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