Brasil vai pedir a Portugal o coração de D. Pedro I

O Brasil quer analisar o coração de Dom Pedro I, Imperador do Brasil e, para isso, vai pedir autorização à Câmara Municipal do Porto e à Venerável Ordem de Nossa Senhora da Lapa, que administra a Igreja da Lapa, em cujo mausoléu o coração do rei se encontra conservado como relíquia.

D. Pedro IV ficou na memória dos portuenses como símbolo de liberdade, patriotismo e força de vontade que, desde sempre, moveu a Cidade e os seus habitantes. A participação e o grande envolvimento da Invicta nas lutas liberais (1832-1833), sensibilizou particularmente o monarca.

D. Pedro IV de Portugal e D. PedroI ,Imperador do Brasil

A historiadora e arqueóloga Valdirene Ambiel, responsável pela exumação dos restos mortais do imperador e das suas mulheres, Leopoldina e Amélia, sepultados na cripta do Monumento à Independância, em São Paulo, explicou ao jornal Estado de São Paulo que esta investigação terá se feita em parceria com Portugal: “É parte de nossa história conjunta”, disse.

A análise do coração de D. Pedro I (D. Pedro IV de Portugal) que, por decisão testamentária, foi doado à Igreja da Lapa, no Porto, poderá ser revelante. “A partir de uma amostra pequena do tecido do coração, de cerca de 5 mm, seria possível aprofundar as hipóteses da causa mortis de Dom Pedro”, comentou ao Estação o médico Paulo Hilário Saldiva, chefe do Departamento de Patologia da Faculdade de Medicina da USP.

Os médicos pretendem solicitar que o órgão seja levado para o Brasil para se fazerem esses exames sem referência à possibilidade de fazer em Portugal os mesmos exames. O jornal brasileiro contactou as autoridades responsáveis pela guarda do coração que se mostraram receptivas a este processo, desde que “seja garantida a integridade do coração”.

Já não é a 1º vez que o Brasil requisita o Coração de D. Pedro, o valor histórico é incumesurável para ambos os paises. A última tentativa foi em 1971 recusada:

«Não podemos, porém, entregar ao Brasil o coração do seu primeiro Imperador, porque esse legou-o à cidade do Porto, onde se guarda como preciosa relíquia.E a vontade do testador prevalece para além da morte como emanação inviolável do espírito que a ditou em vida.

Assim repartidos entre Portugal e o Brasil, os despojos de D. Pedro serão bem o símbolo de uma raça dividida entre duas pátrias, permanece todavia fiel à alma que lhe dá carácter no Mundo e inspira pelos tempos fora os destinos Lusíadas» (comunicação do Exm. Sr. Presidente da República, 12 de Agosto de 1971)

A intenção de pedido decorre da exumação recente dos restos mortais do Rei português para estudo forense…clicar para saber mais

Objeto encontrado junto aos restos mortais de D. Pedro I

Dom Pedro I foi enterrado como Dom Pedro IV de Portugal, com roupas de general. Todas as insígnias encontradas junto à sua ossada são portuguesas, sem referências em suas vestes ao passado imperial brasileiro.

As insígnias não foram repostas no túmulo, tendo seguido para exibição em museu brasileiro

A singularidade da Igreja da Lapa no Porto reside no facto de nele estar guardado o coração de D. Pedro I, Imperador do Brasil, IV de seu nome em Portugal que o doou ao povo portuense como prova de afeição e reconhecimento .

Por vontade testamental, o seu coração foi depositado.
Em 14 de Janeiro de 1837, um decreto redigido por Almeida Garrett e assinado pela rainha D. Maria II, adicionava novos elementos às Armas do Porto.

Este acontecimento determinava que “as armas sejam esquarteladas com as do reino e tenham ao centro, num escudete de púrpura o coração de oiro de D.Pedro, sobrepojadas por uma coroa de duque, tendo por timbre o “Dragão negro das antigas Armas dos senhores Reis destes reinos”, e junte aos seus títulos o de Invicta.”

O túmulo que guarda tal relicário apresenta num lado a bandeira de Portugal e no outro lado a do Brasil ostentando ainda na parte superior as armas aspadas do Duque de Bragança .

relicário com o coração do Rei D. Pedro IV

O coração do Imperador e Rei de Portugal( D. Pedro IV) está cuidadosamente guardado num vaso de prata dourada gravado com duas inscrições, sendo a primeira em latim e a segunda em português. Das quais se transcreve:

« D. Pedro, Duque de Bragança, fundador da liberdade pública, seu doador e vingador havendo, por impulso da Divindade e com a sua grandeza de alma, aportado às praias do Porto e tendo ali, com o seu exercito e pela grande e quase incrível ajuda que lhe prestaram os Portuenses, vingando ao mesmo tempo e com justas armas, a Portugal, tanto de tirano que o oprimia como de toda a sua facção, elegendo o Duque, por isto mesmo, e ainda em vida, aquele lugar onde tão magnanimamente expôs a própria vida pela Pátria, para nela, depois da morte descansar o seu Coração, Amélia Augusta, amantíssima consorte do Duque, querendo, de boa vontade, cumprir o voto de seu Esposo, colocou, reverentemente, nesta urna, os despojos mortais do Coração de seu marido.» 

A inscrição em português reporta-se a uma proclamação dirigida por D. Pedro IV ao povo Portuense, aquando da sua visita à Invicta em 1834:

«…Eu me felicito a mim mesmo por me ver no teatro da minha glória, no meio dos meus amigos Portuenses, daqueles a quem devo, pelos auxílios que me prestaram durante o memorável sitio, o nome que adquiri, e que honrado, deixarei em herança aos meus filhos.»

 

Fontes: DN, Monarchia.org, CM do Porto

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