A Génese e o Valor da Monarquia,pelo historiador Joaquim Verissimo Serrão, (parte2)

O Destino da Monarquia

“(…)impõe[-se] dizer porque razão a ideia monárquica em Portugal tem uma «essência» e um «destino».

A palavra destino, na acepção em que a emprego, não quer dizer futuro. Sê-lo-á para quantos nela acreditam, como fonte de um ideal, como fio condutor que se observa na trajectória do tempo.

Não há dúvida nenhuma de que a Monarquia foi o destino de Portugal. Durante quase oito séculos apareceu como a linha de rumo da pequena Nação que, ligada à terra, afirmou a sua independência, criou um sentimento nacional e se espalhou pelo Mundo. Mesmo ocupada durante 60 anos por Reis estrangeiros, a Nação portuguesa conseguiu reaver as suas energias e a sua capacidade para talhar o milagre extraordinário da Restauração. E que, ao longo da III Dinastia, desempenhou um papel importante na política europeia, fortalecendo o Brasil e alimentando o corpo ultramarino em África e no Oriente.

A Monarquia, mais do que uma instituição, foi um sentimento que animou os portugueses e deu força à nossa história, o que nenhum historiador bem intencionado pode ignorar. Quando encaramos o passado para ver quais as linhas de força que orientaram Portugal, a nossa função não é sermos monárquicos ou republicanos. Cumpre-nos reconhecer o passado de uma Pátria que, debaixo da instituição monárquica, se definiu como colectividade e abraçou um sentimento ecuménico.

A Monarquia fez a Nação, consolidou-a e, com glórias e fracassos, deu realidade ao corpo português, que projectou no Mundo. Esta foi, de facto, a grande obra da Monarquia. E ao afirmá-lo, mais não fazemos do que prestar homenagem à História, herança espiritual de um povo que se orgulha de o ser. Ai de quem não sente a força secular que o prende às suas raízes! Nas horas de crise e de desesperança, são as grandes lições que colhemos do passado que podem activar as nossas energias morais para não sossobrarmos no desespero. Uma Nação é um organismo que nasce, cresce, vive, sofre, vacila e sobrevive, por poder reagir, nas horas de perigo, aos desvios da sua missão nacional.”Prof. Joaquim Verissimo Serrão

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