A Génese e o Valor da Monarquia,pelo historiador Joaquim Verissimo Serrão, (parte1)

“Para os espíritos míopes, talvez careça de sentido o reflectir sobre o passado de uma Nação que em 1910 abjurou o velho regime. Mas se adoptássemos esse critério, que faríamos da nossa alma secular? Era como se na vida dos homens e das comunidades só existisse o passageiro «hoje», esquecendo-nos de que estamos no mundo porque houve um «ontem» e de que o tempo nos há-de oferecer também um «amanhã». No fragor das paixões actuais, muitos crêem ainda que a vida nasceu com eles, esquecendo as raízes longínquas e de tão forte consistência que nos ligam para sempre à História.

Prof. Doutor Joaquim Verissimo Serrão

O problema de ser contra a Monarquia, só porque esta deixou de existir em Portugal, não tem, por conseguinte, qualquer significado. De pouco vale gritar «Viva a República», porque desde 1910 se vive nesse regime político e nem sequer a sua vigência, neste momento, está em causa. Só por motivos demagógicos (quantas vezes jacobinos!) se pode insistir na força de uma dualidade que ameace a estrutura do Estado em que vivemos (…). Mas essa realidade não deve tão pouco impedir a sobrevivência de um ideal monárquico em muitos espíritos que têm o inteiro direito de o acarinhar e defender. A Pátria não é um privilégio dos homens republicanos. Porque os monárquicos são também portugueses, a quem não se pode recusar que acreditem no futuro da Pátria com a mesma radicação ao estatuto político em que ela se concretizou desde 1143 a 1910. Porque a liberdade de pensar e de sentir é um dom sagrado para cada homem e, também, porque o regime monárquico existiu e continua a ser uma força de vida para quantos lhe reconhecem as virtualidades.
Se a dinâmica dos tempos enfraqueceu no mundo latino a ideia de realeza, nem por isso a mesma árvore deixa de se mostrar frondosa nos países anglo-saxóneos e flamengos. Procure-se pois, nas lições da História, a fundamentação do regime à sombra do qual se criou e desenvolveu a Nação portuguesa, nos períodos de glória e de infortúnio, ao longo de oito séculos. A Monarquia constitui assim um património moral e que é também uma forma de consciência actuante para quantos acreditam no princípio da hereditariedade como essência do Estado e como expressão mais profunda da vontade nacional.”A Génese e o Valor da Monarquia em Portugal, Prof. Doutor Joaquim Verissimo Serrão

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