A saida de Portugal da moeda única,uma ideia peregrina sem reflexo no novo governo

Portugal deve procurar apoio para sair do Euro, diz Ferreira do Amaral

(20 de Junho de 2011)

Sabendo-se as consequências imediatas, económicas e financeiras,que derivariam da saida do Euro ainda há, em Portugal, que defenda o suicidio colectivo, com a agravante de ser pronunciada por alguém que sabe não ser assim tão linear .

À TSF, este economista e antigo conselheiro de Jorge Sampaio e Mário Soares entende que a negociação da saída de Portugal da Zona Euro deveria ter começado quando se percebeu que o país «não tinha pedalada para a moeda única» e compara o processo de adesão à descolonização. Ao desafio proposto faltam bases de suporte que expliquem como iria Portugal suportar a imediata desvalorização da nova moeda nacional de 30% a 60% assim que a divida ao estrangeiro fosse indexada a esta.A taxa de cobertura da Balança comercial dificilmente sustentaria a pressão inflaccionista que derivaria da ausência de autosuficiência ao nível da industria alimentar e as dificuldades que todos os sectores industriais sentiriam com a imediata escassez de matérias-primas e bens intermédios à produção

«Infelizmente, as nossas elites dirigentes chegam sempre tarde à decisão. Não é de agora, é desde há muitos séculos. Decidimos sempre tarde e a más horas no que respeita à descolonização e estamos a decidir tarde e a más horas em relação à nossa posição no Euro», acrescentou apelando a um trauma nacional ainda existente na sociedade

O economista João Ferreira do Amaral recomenda que o primeiro-ministro (Passos Coelho) procure no imediato apoio europeu para que Portugal possa sair da Zona Euro o mais rápido possível, antes que seja empurrado a isso com consequências muito gravosas para a economia nacional.Para tal Ferreira do Amaral propõe uma negociação para manter uma paridade com o Euro e o pedido de um empréstimo (outro!) para fazer face à consequente desvalorização.

A proposta de Ferreira do Amaral não tem eco no novo executivo.O Ministro das finanças indigitado é um dos economistas portugueses mais envolvidos com o projecto europeu,Com uma carreira à volta da integração monetária europeia eu não reclamo um ponto de vista de espectador imparcial”, disse há um ano numa intervenção no Porto, citada pelo blogue Massa Monetária. “Recentemente fiz um discurso na Reserva Federal de Dallas com o título ‘A segunda década do euro: o sucesso continua!’ O organizador estava bem ciente da minha parcialidade.” .O novo ministro das Finanças reconheceu isso mesmo há cerca de um ano na apresentação de um livro publicado pelo Banco de Portugal. Vítor Gaspar, tal como o seu colega na pasta da Economia , o desequilíbrio  orçamental português, mas enquadra-o num contexto mais amplo. Nessa mesma apresentação – feita com rigor e subtil sentido de humor – Gaspar deu a sua opinião sobre os maiores desafios da economia portuguesa: “Crescimento da produtividade e competitividade”, “crescimento sustentado e criação de emprego”, “correcção dos desequilíbrios macroeconómicos fundamentais” e “reforço e generalização da concorrência e transformação da estrutura produtiva”. Muitas destas áreas são da responsabilidade de Álvaro Santos Pereira, que tem uma visão semelhante dos problemas.O agora ministro acompanhou as negociações portuguesas no âmbito do Tratado de Maastricht, criou e liderou o departamento de investigação do Banco Central Europeu e liderou o grupo de conselheiros económicos do Presidente da Comissão Europeia.

Alvaro Santos Pereira, ministro da Economia indigitado, tem a dura tarefa de relançar o crescimento da economia, mas já admitiu que isso será difícil de conciliar com o pagamento integral da dívida pública e para isso defende uma visão Europeia para o problemas das dividas soberanas que se alastram na Europa Comunitária (mais uma vez um europeista racional). “O livro [“Portugal na Hora da Verdade”, publicado há um mês] mostra que as dívidas da economia nacional são de tal forma elevadas que será muito difícil evitar uma reestruturação a curto ou médio prazo”, afirmou ao “Expresso”. “Porém, tal reestruturação tem de ser devidamente negociada com os nossos credores e parceiros europeus e não deve ser feita de forma menos civilizada, como aconteceu em 1892.” 

A visão daqueles que, como João Ferreira do Amaral, defendem a saida de Portugal do euro não encontra eco nem no meio industrial nem nos meios académicos.Se fosse uma solução dificilmente a União Europeia estaria tão empenhada em salvar a Grécia

Com professores deste calibre não admira que a Portugal escasseiem “economistas a sério”

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