A última fronteira

É do conhecimento geral que o novo executivo indigitado (na sequência das eleições de 5 de Junho de 2011) teve não só a maior taxa de abstenção verificada após 1974 como o Governo é composto por uma coligação onde o partido vencedor (PSD) venceu com 38% de 55% dos eleitores recenseados, ou seja o PSD acolheu 20,9%.Se a este cenário adicionarmos a desconfiança óbvia da cúpula do PSD em torno de Passos Coelho (Manuela Ferreira Leite deixaria a entender durante a campanha que Passos Coelho seria um mal menor face a Socrates) e a dificuldade que a imprensa afirma que Passos Coelho teve na formação do novo executivo resta perguntar o que mudou nas ultimas semanas para os quase 80% dos eleitores que não votaram no PSD.

Estará o Presidente da Republica, ele próprio um resultado das urnas, a pedir um acto de fé ou a contribuir para a desconfiança geral em torno da capacidade do executivo, apesar da excelência da estrutura do executivo apresentada?

Nos momentos em que o Presidente é chamado a intervir ,como garante da estabilidade do Estado face à legitima disputa partidária, este parece estar a contribuir, adicionando instabilidade com excesso de palavras (referências a visões estatais de “outros executivos”) e retirando estabilidade com o silêncio próprio dos mortos (quando Portugal recorria de chofre ao resgate externo).O PR é a ultima fronteira da estabilidade do Estado, o fiel entre a população e as “Partes” (partidos), mas a origem partidária do Chefe de Estado tem sido por demais evidente nestes tempos dificeis em que exigiria ao Presidente outra postura. Longe do paradigma de Canto e Castro que subiria à mais alta magistratura do Estado apesar das fortes convicções monárquicas no momento em que Lisboa sofria a iminência de ser invadida por Paiva Couceiro.

O Presidente da República pediu esta tarde que os portugueses tenham “confiança” no executivo apresentado por Passos Coelho. À margem do Congresso Nacional das Misericórdias Portuguesas, Cavaco Silva não quis comentar os nomes dos ministros apresentados pelos primeiro-ministro nomeado, apesar de dizer que conhece muitos deles e pediu para que se “confie” nas escolhas do líder do PSD. “É um governo que tem muito, muito trabalho à sua frente e devemos confiar”, disse.

Parece que nos tempos mais dificeis o País pode e conta com os préstimos daqueles que criticam o regime, mesmo contra aqueles que deste beneficiam desde 1910.Um País de monárquicos gerido por anti-monárquicos e tolerado por Republicanos .Um desastre em moto contínuo até um dia ser diferente

D. Duarte, Chefe da Casa Real Portuguesa

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