Os Radicais miopes

O primeiro-ministro afirmou esta segunda-feira (25 de Abril de 2011)em Santo Tirso que “estes três anos” serão classificados como “a maior crise dos últimos 100 anos” e declarou recusar contribuir para que “isso” obscureça “os grandes progressos” dos últimos seis.

Para um optimista , nada melhor do que um pessimista:O Professor Medina Carreira

Medina Carreira tem assumido nos últimos anos (com forte apoio mediático) uma inclinação, não só pessimista como cada vez mais anti-democrática, chegando ao ponto de considerar publicamente como inútil o sistema democrático de eleição.Consoante a audiência assim se vai alterando a análise: os ultimos 10, 20 ou mesmo 100 anos .Tudo serve para expor a falência de um regime

Devido ao caractér pessimista e “bota abaixo” que impõe capta as simpatias de um povo que se habituou a preferir uma voz pessimista á confiança nos orgãos de soberania.A razão não é imune à incapacidade que as classes dirigentes têm em apresentar soluções viáveis de longo prazo, dai a referência negativa que faz aos partidos, estruturas ás quais já pertenceu

Fruto da inoperância estrutural o sistema partidário tem provado que a ausência de um poder de longo prazo inviabiliza qualquer plano, credibiliza e premeia a ignorância e acima de tudo põe ciclicamente em causa o Pacto Social e a Democracia em Portugal

«O Presidente fez muito bem (…) o país anda ao serviço dos partidos politicos (…) andam na majedoura estadual (…)de 1900 a 1920 andamos a rastejar perto de zero» (Medina Carreira,Março de 2009)

«nós estamos ao mesmo nível que estiveram os últimos anos da monarquia.desde que foi o golpe de 5 de Outubro ,tirando a fase da I grande guerra, nunca mais a economia foi tão rasteira como é neste 2000-2010»(?) (Medina Carreira,Março de 2009)

É isto que me leva a não compreender que os partidos políticos concorram às eleições sem saber o Estado das finanças públicas. Isto são contas que se fazem em dez minutos, com duas somas e duas subtracções. (…) Quando um político abre a boca pensa-se exactamente o contrário do que está a dizer” (Medina Carreira,abril de 2011)

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Medina Carreira, na intervenção acima posta em 2009 (!) usou do gráfico aqui exposto para demonstrar que caminhamos para uma situação “igual” (?) ao periodo final da monarquia.
Não fosse a afirmação originária de alguém com formação e responsabilidade poder-se-ia afirmar estarmos a assistir a uma réplica da propaganda republicana do principio do sec. XX.Mas o caso é mais grave

As afirmações correntes dos dirigentes politicos são tendencialmente propositadas a confinar a História politica económica e social de Portugal aos ultimos 100 anos evitando comparações com os outros 7 séculos, éis os “porquês” em forma de erro

Os Erros

1º erro: a matemática

Fazer médias dá muito jeito para impor ideias, mas se substituir-mos o gráfico acima por este:

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Ficamos todos com uma ideia muito mais clara de onde para a verdade.

A estabilidade na variação do crescimento (muito volátil) era algo que estava a ser atingido já em 1907, e só posteriormente recuperado a partir da decada de 30 do sec XX, em Ditadura.

Para quem quer evidênciar a Ditadura em deterimento da Monarquia é meio caminho andado, mas jamais a verdade.Póis se é verdade que a monarquia foi democrática já não é verdade que apenas em ditadura Portugal tenha crescido

2º erro, estatistico

explicar evoluções da riqueza em gráficos de barras é util para explicar fenómenos, mas pressupõe uma média no periodo considerado o que é muito util para desvirtuar e dar outro sentido aos dados..um exemplo:

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poder-se-ia afirmar que a Monarquia foi um desastre desde D. Afonso Henriques até D. Manuel II…o que é claramente uma ofensa para qualquer português que se preze

Porquê?…porque se mede a riqueza (a independência, o esforço das descobertas , a lusofonia, o sentido de Nação, a cultura…etc, não entram na medida de riqueza porque não é possivel atribuir-lhes um valor…muito embora contribuam para um maior nivél de vida)
e por outro lado, Portugal não tinha comboio nem fábricas logo no sec 11, o que leva ao 3º erro:

3º erro: teoria económica

Comparar o periodo final da monarquia com a decada de 50 e pôr tudo no mesmo “tacho” sem as devidas atenções é como comparar uma moinho com uma fábrica de componentes electrónicos e supor um menor do que o outro.

Sem querer recorrer aos coclos de Kondratiev ou á teoria dos ciclos económicos de Bernard Lonergan Medina Carreira deveria ter salvaguadado o facto de que o perido final da monarquia ainda corespondia a uma fase inicial do ciclo económico…ainda se investia em infraestruturas básicas que iriam impulsionar um crescimento económico exponensial..facto que só ocorreu em Portugal com um atraso de 30 anos, porque a Republica anularia e congelaria o tecido económico durante o periodo de 1910 a 1930

Um pequeno exemplo: A rede ferroviária que se construiu no reinado de D. Luis-D. Pedro V irira durar intocável por mais de 100 anos, sem que durante esse periodo tivesse sido acrescentado algo, basta lembrar a Linha do Tua que tem 120 anos e que a Republica apenas soube reduzir e cortar à falta de capacidade para manter.Óbviamente que esse esforço era excessivo para um só orçamento, mas necessário para sustentar crescimentos posteriores.Mas tal não invalida que no último ano do reinado de D. manuel se tenha crescido à taxa de 4%!

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A tendencia de longo prazo (linha curva ponteada) demonstra as diversas fases diferentes do ciclo

Uma clara diferença entre investir e consumir torna ridicula a interpretação feita pelo eminente fiscalista.Nem em Portugal se investiu tanto como no periodo Fontista de 1855, quando Portugal efectivamente nem estradas nem pontes tinha…resta saber se com a afirmação de estarmos próximos do periodo da monarquia iremos implodir e destruir todas as pontes, estradas, escolas e demais infraestruturas criadas nesse periodo pelos Reis, regredindo Portugal para uma economia similar ao do Afeganistão

Demagogia tem limites.

4º erro: qualidade de vida

E dificil comparar algo tão complexo como a qualidade de vida, mas é mais eficaz comparar a evolução portuguesa com as economias mais desenvolvidas do que a medir em termos absolutos:

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De facto, e chega a ser hilariante, Portugal apenas esteve mais próximo durante o reinado de D. Maria II, periodo onde apesar de se ter conseguido orçamentos equilibrados e crescimento notáveis não impediu o surgimento de radicalismos e movimentos politicos violentos de contestação e demagogia

5º erro: falta de capacidade

Qualquer economista sabe que para crescer e aumentar o nivel de vida é preciso investir (implica gastar dinheiro) e investir bem.
Para ter este factor é necessário que os mercados financeiros acreditem nas capacidades internas para cumprir os pagamentos (nenhum investidor empresta para perder).Para isso não contribui a recorrência á frase “estamos falidos/sem dinheiro”, que tanto se ouve ultimamente por parte de quem sabe que isso não funciona. Nem tão pouco contribui a redução do apoio social, já que não existem empregos nem o dinheiro “amealhado” seria suficiente para as necessidades de investimento nacionais.

A falta de capacidade estratégica que não havia durante a Monarquia foi substituida pelo “barulho” dos partidos politicos e respectivos esbirros que à falta de soluções acusam-se mutuamente.

Esta práctica não é alheia a uma certa escola financeira que apenas aprendeu a não investir seriamente no sector privado, estrangulando-o com o investimento publico, deixando a dinâmica privada para grupos económicos estrangeiros, que entretanto descobriram a Ásia e o Leste para investir.

Medina Carreira ,Salazar e a Escola Económica nacional fazem parte desta cultura, a práctica de acumular “debaixo do colchão” todos os tostões, ignorando o facto de que sem mercado interno não existe qualquer economia nem ao Estado caberá todo o investimento, mas apenas o facilitar do crescimento da iniciativa privada…esse “monstro anti-democrático” que a Republica aprisionou nas suas redes partidárias por perigar a sobrevivência das clientelas partidárias

6º erro: a existência de apenas um regime..o republicano

Erro comum de muitos analistas, já na década de 20 do seculo passado, preverem o “fim da Pátria” esquecendo-se que o português é o trabalhador mais produtivo fora de Portugal e o menso produtivo dentro do seu próprio País.
A conclusão é simples, a cultura partidária coorporativista herdada do rotativismo partidário da Monarquia Constitucional estrangula a Democracia, a iniciativa privada deixando aos mais empreendedores apenas o estrangeiro como fuga para evidênciarem as suas capacidades, as mesmas que levaram Portugal para os sete cantos do Mundo quando este julgava a Terra plana.

«se queremos alguma coisa temos de fazer por ela». Ou seja, continuou, «queremos a economia nacional, mas depois compramos os produtos estrangeiros. Vejo na Madeira, por exemplo, a venderem bananas da Colômbia, vejo na Madeira e no Continente, os portugueses comprarem produtos estrangeiros quando os portugueses não conseguem ser vendidos. Isto não pode ser, é um absurdo» D. Duarte

Em algo essencial comungam os radicais (pessimistas e optimistas em ultimo grau): a estrita capacidade de analisar o presente sem propor qualquer alternativa futura.Se algo tem condenado Portugal é esta miopia de pouco vislumbrar para trás e nada enxergar para a frente.

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