Aos indiferentes, por Jacinto Ferreira

“Se, em relação aos republicanos, aos socialistas, aos comunistas, e mesmo a certos nacionalistas se pode afirmar que, «de degrau em degrau, se chega a perder, num dado momento, a origem do pensamento que os inspira», tal suspeição não pode ser aplicada aos monárquicos.”

«Aos que se dizem Indiferentes

Senhores:
Se eu acreditasse nas vossas afirmações de indiferentistno político seria também obrigado a ter por vós uma absoluta indiferença pessoal.
Começaria por experimentar intimamente um sentimento de inveja pelo dom com que havíeis sido favorecidos, de conseguirdes viver impassíveis no meio das lutas, dos choques, dos ruídos e dos clamores. Depois, decerto, sentiria por vós um profundo desprezo porque ser indiferente em política é comer o pão que outros ganharam, é gozar a harmonia que outros estabeleceram; usufruir a paz que outros conquistaram, é, enfim e em resumo, viver a vida que outros! criaram. Ser indiferente em política é adoptar uma posição de parasitismo intelectual, filha de um egoísmo agudo, e que leva tantos a gozar benefícios recebidos de uma sociedade, para cuja manutenção e aperfeiçoamento se recusam sistematicamente a contribuir.
Mas eu, sem quebra de respeito pela vossa palavra honrada, não acredito no indiferentismo que proclamais, embora acredite, sim, numa atitude de repugnância, de desprezo por tanta desorientação, por tanto atropelo, por tanta violência publicamente apresentados como afirmações políticas, mas que são, única e simplesmente manifestações reles de POLITIQUICE,
E como é à roda da questão de regime que as lutas sempre têm atingido a intensidade máxima, também é pelas questões de regime que vós mostrais a indiferença mais profunda.
Essa atitude de afastamento resulta, porém, incompreensível se sobre ela fizermos incidir a luz de um raciocínio claro e sincero.

Estais, de facto, longe de vos desinteressardes da governação pública, mas entendeis que, boa ou má, ela será consequência da educação dos homens, servindo as divergências quanto a regimes, unicamente para azedar e enredar as relações entre cidadãos. Mas, atribuindo vós à educação uma importância primordial (ou não fôsseis pessoas austeras e sizudas) esqueceis, por outro lado, ou ignorais que o ambiente educacional cívico para os povos, é constituído em larga extensão pelo regime político

Sois incompreensíveis, senhores!
Sabeis, através uma certa ilustração moral e religiosa, que «a ocasião é que faz o ladrão» e que muitas almas de elite só atingiram a perfeição cristã porque procuraram intransigentemente fugir às ocasiões em que poderiam cair em tentação, mas é-vos, afinal, indiferente que, na vida pública, estas ocasiões sejam múltiplas ou reduzidas, que haja muitas quedas ou apenas raras, a lamentar.
Sois, de facto, incompreensíveis, pois deveríeis saber que são as más leis e a falta de disciplina e de respeito na sociedade, a ausência de prémio ou de castigo, o que representa para todos, aquelas ocasiões de prevaricar, de não cumprir, de ser infiel a si próprio, a Deus e à Pátria.
E a excelência das disposições legais, tanto como o zelo no seu cumprimento, estão dependentes do carácter do regime, porque é este que, em última análise as enforma e lhes transmite, ou não, a seriedade, a equidade e também a humanidade de que necessitam revestir-se para serem boas e serem cumpridas.
Nos ambientes deletérios, mesmo os organismos mais saudáveis acabam por se contagiar e adoecer. Vós não pensais, por exemplo, que, na nossa primeira república, todos os governantes foram desonestos, incompetentes ou mal intencionados, ainda que nesses tempos houvesse inteira liberdade de o afirmar e até de o provar em relação a muitos deles.(…)

Pois pensai e raciocinai, para, quando chegar a hora de concluir, poderdes obedecer apenas aos ditames da inteligência iluminada pela boa vontade.
Então, estareis de acordo comigo em dizer: A Monarquia não é um regime ideal. Tem defeitos, como tudo o que é fruto do engenho humano. Mas exactamente por isto, é o regime que, revestido das suas características tradicionais e paternais, melhor garante ao Homem o exercício da plenitude da sua personalidade, sabiamente orientada para o serviço da comunidade, mas sem o culto de nacionalismos estreitos e belicosos.
É certo, porém, que, no fundo, não haverá motivo para apagardes a vossa aversão aos truques partidistas, às arruaças e à agitação elei-çoeira. Mas passará a havê-lo no dia em que acreditardes que os monárquicos em Portugal, embora às vezes participem nas lutas eleitorais, porque têm de aceitar a luta no campo onde ela se oferece, não constituem um partido político.
Deixai que digam o contrário os mal intencionados c os pouco esclarecidos.
Se, em relação aos republicanos, aos socialistas, aos comunistas, e mesmo a certos nacionalistas se pode afirmar que, «de degrau em degrau, se chega a perder, num dado momento, a origem do pensamento que os inspira», tal suspeição não pode ser aplicada aos monárquicos.
Estes, por virtude mesmo, do seu carácter de agrupamento restritamente nacional são insusceptíveis de filiação em qualquer internacional, seja ela maçónica, financeira ou revolucionária.
Reparai até que havendo agrupamentos monárquicos por todo o Mundo, e todos com princípios mais ou menos comuns, não há sombra de ligações internacionais entre uns e outros.
Além disso, não será preciso subir muitos degraus para se encontrar o inspirador das suas atitudes colectivas — O Rei, servidor dedicado, número um, do Interesse Nacional em todos os tempos e sob todos os regimes.
Quando for possível fazer-se a história completa e desapaixonada da última guerra, muitos se admirarão de ter havido Príncipes que nem mesmo em troca da garantia do seu trono, aceitaram pôr-se ao serviço de interesses estrangeiros, com possível afectação do Interesse do Seu País.
Por fim, sei que vós não acreditais na possibilidade de mudança de regime em Portugal, o que está dentro da lógica da vossa posição agnóstica. Pois bem, esse acto de fé não é essencial, de início. Ele surgirá como uma consequência no dia em que considerardes necessária tal mudança. E esta necessidade impor-se-á ao vosso espírito quando tiverdes concluído pela superioridade do regime monárquico.
Para atingires este primeiro elo de tão curta cadeia, basta que, como disse, estudeis e vos interesseis pelas verdades políticas associadas à lição elucidativa dos factos.
Então a vossa adesão, a vossa convicção, os vossos desejos, unidos aos de milhares e milhares, hão-de polarizar-se na vontade decidida de um homem talvez desconhecido mas cheio de fé, a qual será assim accionada em hora de intensa angústia ou de magnífica exaltação nacional.
Estudai-vos a vós próprios e reconhecereis que os vossos sentimentos são mais de antipatia por uma coisa do que de indiferença por todas. O que é bem melhor.» Prédicas de um Monárquico ,Jacinto Ferreira 1957

Posted in Uncategorized | Leave a comment

Escócia a caminho de se tornar uma República?

O Partido Socialista Escocês não vê papel para a monarquia numa Escócia independente

As coisas não andam bem para o primeiro-ministro Inglês, a braços com uma crise económica e financeira que ameaça estar longe do fim veio-se acrescentar as aspirações independentistas escocesas que arrastam consigo no pior dos cenários o eminente surgimento de uma República no seio da Ilha Britânica e no mínimo a semente do que poderá ser o pricipio do fim do Reino Unido sob uma Coroa.O jornal   Scotsman revela que apenas 23 % dos escoceses apoiam a independência, menos nove pontos percentuais do que no ano passado mas a fatia dos eleitores jovens tem vindo a crescer (O líder do Partido Nacionalista Escocês  afirmou que pretende ampliar o direito de participar no referendo aos escoceses “de 16 e 17 anos”) deixando tudo em aberto para Outubro de 2014

O Partido Socialista Escocês é 101 por cento a favor de uma república escocês e não vê qualquer papel para a monarquia após a independência.

Isto está em nítido contraste com a abordagem do SNP que procuram manter a realeza depois de um voto Sim.O Partido Nacional Escocês (SNP) alcançou a maioria absoluta no parlamento na sequência das eleições regionais realizadas, em 2011, na Escócia.,o triunfo dos nacionalistas abriu caminho à organização de um referendo sobre a independência, o chamado “Acordo de Edimburgo”

As propostas recentemente publicados para uma constituição para uma Escócia independente fornecem um fórum em que esta pode ser debatida e o apoio da independência agora em 58 por cento entre os eleitores jovens

A Pergunta que vai constar no Referendo

No princípio de Janeiro Cameron dirigiu-se aos escoceses pedindo reflexão “Quero ser o primeiro-ministro que vai manter o Reino Unido junto, mas tenho de mostrar respeito pelas pessoas da Escócia”, disse Cameron, após a formalização do chamado “Acordo de Edimburgo”. O documento determina que os eleitores na Escócia serão questionados, num dia ainda não determinado no outono de 2014 (Cameron pretende a antecipação do referendo para 2014), sobre se querem manter ou deixar a união com Inglaterra formada há 305 anos.

O líder do governo regional da Escócia, Alex Salmond, revelou a 25 de janeiro a questão que será colocada ao povo escocês no referendo sobre a independência daquele território, que integra o Reino Unido há 300 anos.

“Está de acordo que a Escócia seja um país independente?” será a questão concreta colocada aos escoceses na consulta pública, planeada para o outono de 2014,

Posted in Uncategorized | 1 Comment

«Episódios da Monarquia Portuguesa», livro de João Paulo Oliveira e Costa

 «Depois da «Cronologia da Monarquia Portuguesa», o Círculo de Leitores publica os «Episódios da Monarquia Portuguesa», da autoria de João Paulo Oliveira e Costa.
«As pequenas histórias da História.

Episódios  singulares,  momentos  de  alegria  ou infortúnio, de guerra   ou paz, eventos   que marcaram as vidas de reis e rainhas, de delfins e bastardos. Seguindo a cronologia de mais de sete séculos de monarquia, o historiador e romancista João Paulo Oliveira e Costa propõe  uma  viva galeria  de  pequenas  narrativas  que  o  leitor  pode seguir do séc. XII aos alvores do séc. XX, ou que pode  simplesmente  ler  saltando.

Saltando  entre histórias,   tal   qual   uma   viagem   no   tempo.

Importante  que  seja  a  visão  geral,  e  alicerçado esse conhecimento em títulos como a Cronologia da Monarquia Portuguesa, do mesmo autor, nesta obra convida-se a uma dinâmica e emotiva leitura do   passado.   Os   traços   de   personalidade,   os segredos,  os  receios,  a  dedicação,  a  valentia  ou vilania dos muitos   homens e mulheres   que marcaram  a  monarquia.

Um álbum de vidas,  em suma

fonte: Diário Digital

Posted in Uncategorized | Leave a comment

Video sobre o coração de D. Pedro IV de Portugal e I Imperador do Brasil

O Brasil quer analisar o coração de Dom Pedro I, Imperador do Brasil e, para isso, vai pedir autorização à Câmara Municipal do Porto e à Venerável Ordem de Nossa Senhora da Lapa, que administra a Igreja da Lapa, em cujo mausoléu o coração do rei se encontra conservado como relíquia.

D. Pedro IV ficou na memória dos portuenses como símbolo de liberdade, patriotismo e força de vontade que, desde sempre, moveu a Cidade e os seus habitantes. A participação e o grande envolvimento da Invicta nas lutas liberais (1832-1833), sensibilizou particularmente o monarca.

Posted in Uncategorized | 2 Comments

Brasil vai pedir a Portugal o coração de D. Pedro I

O Brasil quer analisar o coração de Dom Pedro I, Imperador do Brasil e, para isso, vai pedir autorização à Câmara Municipal do Porto e à Venerável Ordem de Nossa Senhora da Lapa, que administra a Igreja da Lapa, em cujo mausoléu o coração do rei se encontra conservado como relíquia.

D. Pedro IV ficou na memória dos portuenses como símbolo de liberdade, patriotismo e força de vontade que, desde sempre, moveu a Cidade e os seus habitantes. A participação e o grande envolvimento da Invicta nas lutas liberais (1832-1833), sensibilizou particularmente o monarca.

D. Pedro IV de Portugal e D. PedroI ,Imperador do Brasil

A historiadora e arqueóloga Valdirene Ambiel, responsável pela exumação dos restos mortais do imperador e das suas mulheres, Leopoldina e Amélia, sepultados na cripta do Monumento à Independância, em São Paulo, explicou ao jornal Estado de São Paulo que esta investigação terá se feita em parceria com Portugal: “É parte de nossa história conjunta”, disse.

A análise do coração de D. Pedro I (D. Pedro IV de Portugal) que, por decisão testamentária, foi doado à Igreja da Lapa, no Porto, poderá ser revelante. “A partir de uma amostra pequena do tecido do coração, de cerca de 5 mm, seria possível aprofundar as hipóteses da causa mortis de Dom Pedro”, comentou ao Estação o médico Paulo Hilário Saldiva, chefe do Departamento de Patologia da Faculdade de Medicina da USP.

Os médicos pretendem solicitar que o órgão seja levado para o Brasil para se fazerem esses exames sem referência à possibilidade de fazer em Portugal os mesmos exames. O jornal brasileiro contactou as autoridades responsáveis pela guarda do coração que se mostraram receptivas a este processo, desde que “seja garantida a integridade do coração”.

Já não é a 1º vez que o Brasil requisita o Coração de D. Pedro, o valor histórico é incumesurável para ambos os paises. A última tentativa foi em 1971 recusada:

«Não podemos, porém, entregar ao Brasil o coração do seu primeiro Imperador, porque esse legou-o à cidade do Porto, onde se guarda como preciosa relíquia.E a vontade do testador prevalece para além da morte como emanação inviolável do espírito que a ditou em vida.

Assim repartidos entre Portugal e o Brasil, os despojos de D. Pedro serão bem o símbolo de uma raça dividida entre duas pátrias, permanece todavia fiel à alma que lhe dá carácter no Mundo e inspira pelos tempos fora os destinos Lusíadas» (comunicação do Exm. Sr. Presidente da República, 12 de Agosto de 1971)

A intenção de pedido decorre da exumação recente dos restos mortais do Rei português para estudo forense…clicar para saber mais

Objeto encontrado junto aos restos mortais de D. Pedro I

Dom Pedro I foi enterrado como Dom Pedro IV de Portugal, com roupas de general. Todas as insígnias encontradas junto à sua ossada são portuguesas, sem referências em suas vestes ao passado imperial brasileiro.

As insígnias não foram repostas no túmulo, tendo seguido para exibição em museu brasileiro

A singularidade da Igreja da Lapa no Porto reside no facto de nele estar guardado o coração de D. Pedro I, Imperador do Brasil, IV de seu nome em Portugal que o doou ao povo portuense como prova de afeição e reconhecimento .

Por vontade testamental, o seu coração foi depositado.
Em 14 de Janeiro de 1837, um decreto redigido por Almeida Garrett e assinado pela rainha D. Maria II, adicionava novos elementos às Armas do Porto.

Este acontecimento determinava que “as armas sejam esquarteladas com as do reino e tenham ao centro, num escudete de púrpura o coração de oiro de D.Pedro, sobrepojadas por uma coroa de duque, tendo por timbre o “Dragão negro das antigas Armas dos senhores Reis destes reinos”, e junte aos seus títulos o de Invicta.”

O túmulo que guarda tal relicário apresenta num lado a bandeira de Portugal e no outro lado a do Brasil ostentando ainda na parte superior as armas aspadas do Duque de Bragança .

relicário com o coração do Rei D. Pedro IV

O coração do Imperador e Rei de Portugal( D. Pedro IV) está cuidadosamente guardado num vaso de prata dourada gravado com duas inscrições, sendo a primeira em latim e a segunda em português. Das quais se transcreve:

« D. Pedro, Duque de Bragança, fundador da liberdade pública, seu doador e vingador havendo, por impulso da Divindade e com a sua grandeza de alma, aportado às praias do Porto e tendo ali, com o seu exercito e pela grande e quase incrível ajuda que lhe prestaram os Portuenses, vingando ao mesmo tempo e com justas armas, a Portugal, tanto de tirano que o oprimia como de toda a sua facção, elegendo o Duque, por isto mesmo, e ainda em vida, aquele lugar onde tão magnanimamente expôs a própria vida pela Pátria, para nela, depois da morte descansar o seu Coração, Amélia Augusta, amantíssima consorte do Duque, querendo, de boa vontade, cumprir o voto de seu Esposo, colocou, reverentemente, nesta urna, os despojos mortais do Coração de seu marido.» 

A inscrição em português reporta-se a uma proclamação dirigida por D. Pedro IV ao povo Portuense, aquando da sua visita à Invicta em 1834:

«…Eu me felicito a mim mesmo por me ver no teatro da minha glória, no meio dos meus amigos Portuenses, daqueles a quem devo, pelos auxílios que me prestaram durante o memorável sitio, o nome que adquiri, e que honrado, deixarei em herança aos meus filhos.»

 

Fontes: DN, Monarchia.org, CM do Porto

Posted in Uncategorized | Leave a comment

Irá a Península Ibérica trocar de regimes? Restauração Vs Instauração

“… A monarquia perdeu sua substância e saiu como casca seca” Estas palavras proferidas num contexto de um discurso mais amplo de J. Antonio Primo Rivera  sobre a queda do provável o último Bourbon a reinar em Espanha encaixar-se-iam no discurso republicano português de 1910, infelizmente lá como cá, Deus propôs e o caciques dispuseram  alinhando a história de ambos os países nos parâmetros da doutrina nacionalista.Se a República foi possivel em Portugal regenerando-se a cada geração e impossivel em Espanha ,deve-se ao facto de Espanha ser mais um aglomerado de nações que nunca alcançou a forma de Estado .Em Espanha a Monarquia é a cola que mantém o País unido e os nacionalistas das várias partes de Espanha sabem-no.Portugal não surge na lista de exemplos dos contestatários como o exemplo de República Ibérica, porque foi a Monarquia que tornou possivel a criação de uma identidade própria resistente à influência da Corte de Castela…e isso ,os nacionalistas de Espanha também conhecem

A maioria dos espanhois não assistiu nem se recorda da sessão em que Juan Carlos foi nomeado sucessor ,como Rei, do General Franco. A maioria dos deputados,votaram a favor da proposta do então Chefe de Estado e foi apresentado como sendo a Instauração da Monarquia , quando na verdade foi uma Restauração da Monarquia parlamentar na pessoa de Don Juan Carlos.

A partir desse momento o verbo “Borbonear” foi a palavra de ordem ,de uma Monarquia que se pautava por ter mais “Juan Carlistas”  do que monárquicos convictos.Tratar-se-ia da velha formula que em Portugal se denomina de Messianismo Presidéncial, a velha “personalização” do regime que os tradicionalistas tanto criticavam no liberalismo mas que tanta simpatia lhes causava quando se revestia num cacique.

O velho fundador do partido nacionalista que chegou a ministro de D. Carlos, Jacinto Cândido, referiria o episódio do velho Conde da Redinha, legitimista ferrenho, que um dia o visitara para lhe dar a adesão ao partido dizendo-lhe: «a minha divisa é esta: Deus Pátria e Rei, por esta ordem hierárquica.O partido nacionalista tem como divisa Deus e Pátria, eu venho para defender Deus e a Pátria, alistar-me nele e guardo no meu peito o afecto e lealdade ao meu Rei, como credo meu pessoal reservando-me para pugnar por ele quando for míster e oportuno» (Jacinto Cândido ,memórias íntimas)

Na verdade Espanha e Portugal sofrem do mesmo mal que os afasta do modelo democrático dos Países do Norte da Europa.O debate político ultrapassa as fronteiras da gestão do Bem Público para se imiscuir na esfera privada dos cidadãos corroendo com os defeitos privados a virtudes publicas dos detentores de cargos públicos.Nos países meridionais o lugar vago deixado pelo laicismo de Estado foi ocupado pelos dogmas partidários onde não é raro observar o Chefe de Estado assumir o papel de Observatório da ética dogmática das várias capelas partidárias que assumem o ministério do Estado e os cidadãos preocuparem-se mais com a conduta moral privada de certo ministro do que com as decisões que toma. 

O povo é convidado, através dos orgãos de comunicação a avaliar a ética, os valores e a correcção de carácter dos candidatos a governantes quando deveria ser eficácia, a lealdade às instituições e a correcta gestão do País que deveria preocupar os cidadãos.O que é relevante é a cartilha e não o programa não sendo de admirar a recente elevação do “Grandola vila morena” a “Te Deum” ,não sem culpa dos eleitos que se esqueceram que o primado de todos os cargos público é o constante escurtínio popular

Não há erro maior do que uma avaliação sobre a conduta privada de uma instituição que é Pública.Os espanhois, mesmo defendendo a (sua) identidade nacional, que atacam a Família Real desconhecem a história recente do próprio País e fingem não reconhecer em Portugal o efeitos da “religião de Estado” quando o único “dogma” que persiste a todas as monarquia é a legitimidade da Família Real como fonte ultima de Poder…a última barreira contra a demagogia

Os ataques recentes à Monarquia de Espanha evidenciam a tibieza da alternativa republicana.Mesmo que tenha sido uma Restauração da Monarquia em Juan Carlos o tempo prova que as ultimas décadas Instauraram a Monarquia na Identidade de Espanha mas a prova final será no dia em que o cargo transitar para o sucessor

No caso Português a Restauração será consequência última da inviabilidade de governação do arco partidário, o que dependerá muito da resiliência da opinião pública que tem provado ser de uma plasticidade anormal.Uma Restauração pelo referendo partidário é uma opção muito viável mas que incorre em risco capital já que não  se trata de unir o território mas regenerar o Pais de uma efermidade sem alterar um problema de fundo que se acumulou com o tempo, a diferença entre o sec XIX e o sec XXI .Já uma Instauração da Monarquia dependerá mais do trânsito geracional, a sucessiva regeneração da República dentro dos mesmos parâmetros ideológicos de base afastou os portugueses da sua identidade cívica e passados 100 anos já não se trata de Instaurar uma Instituição mas de renovar o próprio sentido histórico nacional para os novos desafios do sec XXI

 

Posted in Uncategorized | Leave a comment

Aos Republicanos Patriotas por Jacinto Ferreira

«Aos Republicanos Patriotas
Caros adversários de hoje:
São numerosos nas nossas fileiras os antigos republicanos que, mercê da sua recta intenção, da sua culta inteligência e de séria meditação nas realidades da vida contemporânea, se converteram à ideologia monárquica.
E abundam muito mais, os filhos já esclarecidos, de republicanos ainda iludidos.»

 

Monarquia :a peça que torna Portugal coerente

«Isto bastante nos desvanece, mas não podemos sentir completa satisfação enquanto notarmos no campo contrário, a presença de muitos idealistas e honestos, de tantos «homens bons» cujo lugar deveria, sem equívoco, ser do lado de cá.
Só o respeito humano e certos preconceitos constituem obstáculo a que muitos destes reconheçam publicamente as instituições monárquicas, como as únicas capazes de conciliar os interesses da pessoa com os interesses da colectividade.
Sei muito bem, senhores, (é aos idealistas, aos dignos, que me dirijo, e não ao refugo da sociedade, ou aos «profiteurs» da política) que um dos principais motivos da vossa adesão aos ideais republicanos foi a sincera afeição que alimentais pela liberdade humana.
Nobre ideal esse, perante o qual me curvo sem constrangimento. Não que eu reverencie a Liberdade «para tudo»; mas apenas porque amo também as liberdades, filhas da independência outorgada por Deus a cada homem, e que nenhuma outra criatura tem direito de violar ou de limitar sem justo motivo.
Dessas liberdades, dessa independência, também eu sou dedicado adepto, e por isso compreendo a vossa paixão política.
Nada, porém, na Monarquia se opõe a essa inclinação da vossa mocidade, pois é, pelo contrário nos regimes republicanos, que, nascida a antinomia — Liberdade, Autoridade, esta se tem ido cada vez mais a impor, em detrimento daquela.
E à medida que por esse mundo têm ido sendo depostas as Monarquias, sob o pretexto falso de constituírem obstáculo, à liberdade, têm-lhes sucedido a prazo mais ou menos longo os regimes de autoridade ilegítima — consequência fatal dos abusos de uma Liberdade ilícita. Pode dizer-se que hoje em dia, na generalidade das Repúblicas, há muito menos liberdade do que na generalidade das Monarquias actuais, e do que havia nas Monarquias predecessoras daquelas.
E até noutras repúblicas onde ainda os cidadãos usufruem certos direitos, estes vão nuns casos, sendo progressivamente restringidos a pretexto de «defesa da Liberdade», e noutros casos paradoxalmente considerados excessivos pela Autoridade, que espreita, carrancuda, a ocasião para se instalar e dominar em absoluto.
(…)
Assim caros adversários de hoje, o tão sedutor ideal da Liberdade que vos conduziu para a república, acabará por vos orientar, e muito logicamente agora, para a Monarquia autêntica, depois da necessária rectificação de rumo.
(…)Mas dentro do vosso patriotismo um só caminho se vos depara — o da Monarquia. Aí vereis autoridade sem opressão, liberdades sem desordem, respeito sincero pela vontade da nação, igualdade de todos perante a lei.

Entre o vosso republicanismo e o vosso patriotismo tem que se travar duro combate porque sois homens de consciência.
Decidi-vos com presteza, pois cada hora que vamos vivendo é mais grave do que a anterior.
Se eu não tivesse a certeza de que o vosso patriotismo acabará por vencer o vosso republicanismo, não vos teria dirigido uma só palavra que fosse.» Prédicas de um Monárquico, Jacinto Ferreira 1957

Posted in Uncategorized | Leave a comment